“(...) a televisão, com a sua informação fragmentada, fornece globalmente uma representação da política, por exemplo, como uma arena onde, continuamente, se sucedem pseudo-golpes de teatro, onde os temas se afastam reciprocamente das pessoas sem que se possa entender bem o que se pretende”. (WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Pág.135).
A Política de hoje em dia vem usando de armas e fundamentos do meio publicitário para se promover. Tanto glamour, tanto estrelismo chegam a maquiar as reais concordâncias que os candidatos tentam agregar as suas campanhas. A beleza seduz o povo, pois é através desta estética que eles se espelham. Esta é a aparência que a própria massa consome, pois se trata de algo que representa certo patamar de status. As promessas e as realizações dos candidatos ficam em segundo plano (quando não esquecida e/ ou nem reconhecidas por alguns). “Para representar meu país, a pessoa tem que está bonito. Chique!”. Mas tais fatos não são levados a publico pela publicidade. As responsáveis por passar essa imagem de galã e/ ou herói-galã são as próprias mídias que através de seus produtos preenchem um termo de “Salvador” como alguém mais que conceitual. O povo está a deixar representar por uma figuratividade que envolve seus mais profundos desejos. Ele se deixar levar pelos brilhos dos holofotes.
“A função dos ídolos de massa na sociedade do espetáculo é viver o simulacro de uma vida plena que nos é continuamente roubada, como se não fossem, eles também, alienados nela”. (KEHL, Maria Rita. Muito Além do Espetáculo. Pág. 242).
O que vale a isso é a campanha presidencial de Luís Inácio Lula da Silva, em 2002, que fôra registrado seus bastidores no documentário Entreatos, do diretor João Moreira Salles. Neste filme foi captado imagens do atual Presidente do Brasil em ações mais reservadas longa da figura pública. “Lula fazendo a barba. Lula se preocupando com o nó de sua gravata. Lula sendo instruindo pelo diretor de sua campanha publicitária (Duda Mendonça) sobre o que dizer nos debates. Lula estilizando o modo como se veste etc.”.
Porém não há culpa por parte da área de publicidade. Também revogo que não seja culpa do mercado televisivo que faz do imaginário seu supra-sumo para a convivência com seus consumidores. “Então a culpa é do povo?”. Também não diria Isso. Se o povo deixa-se levar pelos recorrentes brilhos que os candidatos se dispõem é por justa e de certamente por algum desvio que a informação se cobre. O que faz um candidato ter mais popularidade que outro é por questão de simples carisma que ganha a simpatia das massas. O povo quer um amigo que possa confiar e que possa representá-lo. Por mais que seja uma figura pitoresca, mas que de grande fraternidade. Essa é a imagem do povo brasileiro!
terça-feira, 10 de junho de 2008
Política Pop Show
A Política do Humor
Humor já virou marca registrada dos cearenses, não somente no Brasil mais como no exterior, como por exemplo: Chico Anísio, Renato Aragão e Tom Cavalcante. Mas esse “dom” é uma característica não somente do povo do Ceará, mas também de outros estados, fato que podemos acompanhar nas campanhas eleitorais partidárias que são veiculadas nos anos de eleição.
Como diz o ditado popular: três coisas não se discutem: religião, futebol e política. Isso porque que a política está associada como sendo uma das três paixões nacionais, mas uma vez o humor está presente no cenário político. Política é um assunto que não agrada muito a maioria das pessoas, ou a maioria das pessoas não tem acesso à política, ou apenas ao que se quer mostrar. Na verdade, o tema política só vem à tona, nas mídias, em períodos eleitorais, onde os candidatos usam de toda suas criatividade para conquistar de qualquer maneira o voto dos eleitores, ate mesmo se utilizando do humor como forma de conseguir votos.
O humor em muitos casos é associado ao grotesco. Muniz Sodré, autor de O Império do Grotesco (2004), analisa o uso do grotesco pelas grandes mídias de comunicação (cinema e televisão), como sendo uma categoria estética importante não somente para a cultura brasileira como internacionalmente. Para ele, sempre que a televisão precisa de público, apela para o grotesco. É uma categoria estética recorrente na vida brasileira, porque o grotesco é a estética da hibridação de universos culturais diferentes.
Baudrillard tem uma teoria de que as massas preferem eleger os idiotas para rir secretamente do poder. Muniz analisa que o grotesco tem uma função alienante, mas também pode ter uma função altamente crítica, começando no popularesco, que é uma transfiguração do popular visando a seu reaproveitamento para difusão de um publico maior.
Na verdade o humor é uma paixão nacional e internacional, as séries de maior sucesso nos Estados Unidos são series que trabalham diretamente o humor, como por exemplo: Friends, Seinfeld e Os Simpsons. Na política, não é diferente alguns candidatos, ou melhor dizendo, a assessoria de comunicação de alguns candidatos pensam o humor como sendo umas das maneiras de melhor conquistar a confiança do candidato pelos seguintes motivos: a política já é vista por grande parte da sociedade como motivos de risadas e com pouca credibilidade, resultante de alguns políticos que se utilizam do poder a eles dado como forma de favorecimento próprio, claro que não podemos de forma alguma generalizar, não podemos “jogar um cesto de maçãs no lixo porque uma maçã esteja estragada”, outro motivo é devido ao campo da política passar três anos e meio praticamente fora das mídias, e em determinado momento vem a tona todos os candidatos com suas promessas e seus projetos, e o humor é uma ótima oportunidade de se destacar nesse campo bastante disputado.
Mas, tenhamos cautelas em como se utilizar do humor como ferramenta de comunicação, pois o humor deve ser usado como forma de fortalecer a imagem do candidato e não o contrário. Isso é o que acontece nas peças analisadas nesse trabalho.
A peça continua a mesma, continua sendo motivo de riso, sendo o objetivo principal, porém ela não consegue agregar valor a campanha do candidato que passa a ser motivo de gozação na sociedade, perdendo credibilidade e por sua vez a confiança de seus possíveis eleitores.
Analisando as campanhas eleitorais de diferentes estados do Brasil, conseguimos perceber características peculiares nas peças.
Analisando o nome dos candidatos (nome artístico);
Quando uma pessoa decide ingressar no campo da política, ela precisa abrir mão de muitas coisas, como por exemplo: tempo, família, e até o próprio nome, pois o candidato se torna uma pessoa pública, assim como um ator, cantor ou apresentador. Em todos esses casos quando o nome não condiz com o posicionamento da ação exercida pela pessoa, é normal usar um nome artístico.
O que podemos analisar nessa situação é que alguns candidatos possuem humor no próprio nome como, por exemplo:
-Gil Móveis;
-Super Zefa;
-Darci “chutando o balde”;
-Senador Zebra;
-Lúcio Mandioca;
-Cabelo de Fogo;
-Colesterol;
-Maria Roselene – A Shana;
-Gilberto Brochão;
-Sr. X;
-Mamãe 102 anos.
Analise do uso da imagem (feio/belo) (forte/fraco);
Uma imagem vale mais do que mil palavras, melhor dizendo uma boa imagem valem mais do que mil palavras. Já uma má imagem vale bem mais do que mil palavras. Isso mostra o quanto devemos ter cuidado com o uso da imagem. A construção de uma imagem é a associação de várias ações, posicionamentos de tomada de decisões, de postura etc. O cenário também pode favorecer para isso.
Nas peças analisadas, podemos ver que alguns candidatos não se preocupam muito com a construção do cenário ideal, favorecendo para uma desconstrução da imagem desejada, como exemplo, temos a Super Zefa, que está fantasiada de flor, segurando um cachorro no braço e quebrando ovos na cabeça. Outro exemplo é o Lúcio Mandioca, onde este se posiciona em um determinado ângulo que cria a percepção de que o cenário seja uma extensão de seu corpo criando, assim, duas orelhas de burro ou uma coroa.
Analise do uso da cultura popular como forma de humor.
O candidato precisa ser aceito pela população, precisa ser visto com bons olhos e principalmente conquistar a confiança do seu eleitorado, para isso, o candidato tenta mostrar cenas do cotidiano como forma de dizer que ele é igual a todos os seus eleitores. Porém essa “encenação” da realidade pode ser um “tiro pela culatra” quando mal planejada e mal posicionada, pois, algumas cenas não são tidas como cômicas no cotidiano e não condizem com a realidade. Um exemplo é o Tenente Lara, que tenta exorcizar um eleitor para que ele não vote mais em candidatos corruptos. Um segundo exemplo é o Emanuel dos aposentados, que ressuscita dos mortos em seu próprio funeral levantando-se dentro do caixão e falando de seu plano de ação.